Viver e cuidar da terra com práticas sustentáveis

QUEIMADOS - Produtores rurais às margens do Rio dos Poços receberão incentivos financeiros. Rio Rural adota práticas sustentáveis de produção e conservação ambiental

Acordar antes do sol nascer ao ouvir o galo cantar. Lavar o rosto, tomar um café e ir roçar com a enxada na mão. Essa é a rotina do agricultor João de Deus, de 67 anos, que começou a trabalhar no campo desde os nove anos para ajudar no sustento da família. Ainda pequeno veio do interior de Minas Gerais para tentar a sorte grande na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente em Queimados, na Baixada Fluminense. João e seus familiares se estabeleceram nas terras às margens do Rio Morto – um dos três afluentes que fazem parte da bacia hidrográfica Rio dos Poços - e desde então vivem do que plantam: frutas, verduras, legumes e hortaliças. Ele é um dos 30 produtores do município que ingressaram no programa Rio Rural, que incentiva a agricultura familiar ao adotar práticas sustentáveis de produção e conservação de matas nativas como compensação ambiental para receber linhas de crédito. O programa, desenvolvido pela Superintendência de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado, vai funcionar em parceria com a Prefeitura de Queimados e a Emater-Rio. 

João e mais três amigos agricultores vão participar do programa e vão receber uma linha de crédito de até R$ 60 mil para aquisição de um microtrator e equipamentos agrícolas para auxiliar no trabalho braçal. Mas não será tão simples. Em troca do investimento, eles terão que arcar com 20% do valor total do projeto e implantar medidas de preservação ambiental. Proteção dos mananciais, plantação de mudas para reflorestamento às margens do Rio Morto além de usar técnicas de cultivo sustentáveis com sistema semi-intensivo agroecológico são algumas das medidas que serão adotadas pelos produtores com auxilio de técnicos da Emater-Rio. “A terra é meu ganha pão desde muito novo e devemos cuidar dela. É com a plantação daqui que nós produtores garantimos sustento de nossas famílias. Com a chegada do trator, vamos produzir muito mais e aumentar nossa renda. Logo, nada mais justo que preservar a natureza para futuras gerações”, contou João, ao mostrar o campo de plantio de mandioca.

De acordo com o prefeito Max Lemos as práticas sustentáveis incentivadas contribuem para aumentar a eficiência produtiva e competitividade, liberando áreas para ações ambientais, que resultam na proteção dos solos e dos mananciais. “É importante fortalecer a produção rural da região. E mais que isso é incentivar uma produção consciente e de maneira sustentável sem que agrida o solo e os nossos mananciais. Através da parceria com o programa, vamos incentivar ainda mais a agricultura familiar de subsistência pensando na preservação ambiental”, comentou. 

A metodologia do Rio Rural é baseada no planejamento participativo e por isso a agilidade dos projetos e incentivos depende do andamento das atividades locais, que podem variar de acordo com o estágio de organização social de cada microbacia e formação dos comitês gestores (COGEM). Os produtores foram selecionados pelo programa a partir do Diagnóstico Rural Participativo (DRP), que estabelecem quais são os principais problemas e potencialidades da comunidade rural.

Incentivo à agricultura familiar 

O diagnóstico aponta riscos ambientais, gargalos que dificultam a comercialização de produtos, demandas por serviços públicos, vocações e potenciais para o desenvolvimento local. As informações são consolidadas em um documento público, disponível no portal do Rio Rural na Internet. Após o diagnóstico de beneficiários e definição dos projetos, a equipe do Rio Rural realiza um sorteio na comunidade para estabelecer a ordem de atendimento aos agricultores.

Para o produtor, Odair Tomé, o Rio Rural além de fortalecer a agricultura familiar e também incentiva a produção. “Famílias inteiras dependem de nós. Plantamos de tudo um pouco desde aipim, feijão, milho, quiabo a jiló. Para receber esses equipamentos, vamos plantar mudas de matas ciliares e preservar as minas d’água que temos. Acreditamos que com programa vamos aumentar a nossa produção em quase 50%”, contou Odair, proprietário do sítio São Tomé de 14 hectares que fica no bairro Vila Central.

O limite de recursos destinados a cada produtor varia de acordo com os tipos de projetos solicitados ao programa. Nos próximos dias 04 e 09, equipes da Emater-Rio e da Secretaria Municipal de Agricultura vão visitar as propriedades dos agricultores selecionados, nas regiões de Vista Alegre e Vilar Grande, para iniciar a implantação do programa.


Via PMQ
27/10/2015

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