Charreteiros tratados como foras da lei em Queimados

QUEIMADOS - Enquanto que para o município de Queimados eles são considerados patrimônio, os cerca de 50 charreteiros que há mais de meio século transportam moradores da região, passaram a ser considerados foras da lei. Tudo graças ao deputado estadual Dionísio Lins (PP), autor da lei que proíbe o uso de animais para o transporte de carga e passageiros no estado. A lei foi sancionada pelo governador Luiz Fernando Pezão e passou a valer desde o dia 8 de janeiro.

Há mais de 30 anos trabalhando como charreteiro na cidade, José Carlos, de 60 anos, afirma que os moradores preferem usar as charretes, pois os ônibus estão em péssimo estado de conservação.

“Nós estamos aqui há mais de 50 anos. Acordo 3h30 da manhã, em um horário que nem os ônibus passam, para levar passageiros até a estação de trem. Cerca de 40 pessoas por dia”, diz José Carlos.

A maior preocupação dos charreteiros agora é saber de onde vão tirar o sustento de suas famílias.

A lei gerou polêmica também entre os usuários. O microempresário Marcos Antônio Fonseca, de 49 anos, afirma que faz uso das charretes desde criança. O usuário critica a condição que os transportes locais se encontram.

“Nós preferimos andar com os carroceiros porque a má conservação dos transportes é evidente. Se acabarem com os carroceiros de Queimados, será uma falta de respeito ao trabalhador honesto.

Pressão de todos os lados

Antes mesmo da aprovação da lei pelo governador Pezão, os charreteiros de Queimados já enfrentavam problemas para exercer a atividade. Além da concorrência feita pela Viação Fazeni, ain da enfrentam pressão de supostos milicianos que controlam o transporte feito por vans na região.

De olho nos passageiros das charretes, a Viação Fazeni, que monopoliza o transporte coletivo na cidade, reduziu o valor da tarifa apenas na linha que faz o mesmo itinerário dos charreteiros. A passagem, que custava R$2 caiu para R$1,50, contrastando com o aumento das tarifas. Em contrapartida, o valor cobrado pelos charreteiros passou a R$2.

Em nota, a assessoria de imprensa do deputado estadual Dionísio Lins afirmou que o uso de animais está liberado apenas para áreas rurais e para o turismo local.

“A exceção fica somente para os animais utilizados nas áreas rurais do estado para os trabalhos diários, onde são necessários como meio de locomoção e sustento, como também para o turismo”, informou.

Já a assessoria do governador Pezão disse que ele apenas sancionou a lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

por: Marco Canosa 
Via: Conecta Baixada

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